Q
Você fez Satyricon!? Fui assistir semana passada. Parabéns.
A

Fiz sim! muito obrigado!


ssdmmfr:

Artist:

George Boorujy

“Thunder, Perfect Mind”

Ink on Paper, 43” x 55”

2011



Satyricon Delírio.

Ontem quando lançaram a primeira palma eu sabia que nenhuma frase mais seria dita. Corri e abracei-me ao dicionário procurando o significado de “Fim”, logo encontrei o seguinte: O que termina; extremidade no tempo e no espaço. Sorri como um louco desvairando, nada de fim tinha naquela palma. Aquilo que eu sentira por mais de meses tinha mais haver com o Dó Sustenido Um ou o Ré Bemol Um do piano. Pode parecer loucura misturar roma a duas notas do piano, pode parecer loucura entregar-se de corpo e alma a uma ideia que não é sua, pode parecer loucura amar sem medo e nem culpa tudo que é dito e feito, tudo que é corpo e cheiro, tudo que é sentido. Pode sim tudo parecer uma grande loucura, um imenso devaneio, mas quem sabe tudo tenha sido mesmo somente um breve ilusão. Encontra-se aqui, hoje, um sujeito que escreve o que não sabe mais o que escrever, que em forma de clichê diz: “desculpem, hoje eu sei que existem coisas que não cabem em palavras”. Hoje esse sujeito submerso em afagos e desejos se despede de uma vez de algo que marcou profundamente minha vida e que provavelmente será gatilho para novas marcas. Hoje, bem, hoje serei eternamente eu. E mesmo que a fixa demore a cair, e mesmo que eu precise voltar no local onde me despi, limpar minha sujeira humana, eu sei, que esse foi e devaneio mais verdadeiro que alguém poderia sentir.

OBRIGADO A TODAS AS PESSOAS QUE FIZERAM PARTE DA MINHA VIDA NESSES 6 MESES DE SATYRICON. OBRIGADO A TODOS QUE EU CONHECI E DESCONHECI, OBRIGADO PELO RESPEITO, CARINHO, ATENÇÃO E AMOR. OBRIGADO POR ME LIBERTAREM DO QUE EU TINHA CERTEZA QUE ERA EU E QUE SÓ HOJE EU SEI QUE NUNCA FUI. OBRIGADO PELOS TAPAS, SOCOS, CHUTES, LÁGRIMAS, BEIJOS, CHUPADAS, PEGADAS, DEDADAS, FARINHADAS. OBRIGADO POR ME DEIXAREM AMAR E SER AMADO. ATÉ SEMPRE!


Dicotomia.

Dialoguei durante horas com Platão, porém, em dado momento de esgotamento de conversa, esbocei minha angústia e soltei: “vai tomar no cu”. Platão, perspicaz fitou-me o olhar e retrucou, “ele é bom ou mau? o cu”.


Texto circense para ser lido ao som de trompetes e meia luas.

Garotos maltrapilhos estão comendo suspiros na venda em baixo de casa. Seus rostos lambuzados com o corante, e suas caras amargas que nem o doce adoçava. Uma cena grotesca, parei espantado e observei a fila de quatro meninos odiados. Quando quase como um suspiro - respiração - o menino estica a mão e solta a mais bela palavra do dia “qué?”. 
“não, não, não!” respondi, como se estivesse com o meu olhar, roubando uma gota de seu suspiro, agora doce. Sorri. Nada mais tinha a fazer. Sorri.


Carlos

Carlos, o homem de olhos azuis que cortava a grama da frente da casa branca. Carlos não é uma boa pessoa para se admirar, se soubesse da metade das coisas más que ele fez não iria gostar tanto de seus olhos azuis. Ele me disse certa vez: “quem escreve versos bonitos, não é porque viu coisas bonitas, mas é porque ficou um tempo preso em grades de aço que mal me deixavam ver a luz do sol”.
Carlos ficou louco, tem problemas com sua fala. Cata matos em troca de alguns tostões furados. Não escreve mais, e sorri como se nada tivesse acontecido.


Grita. Grito? Gritando!

Grita. Grito? Gritando!


Morangos Silvestres

Às vezes você irá dizer, chorar e lamentar eu não ter vindo. Às vezes você irá pensar que teria uma vida melhor com o cara da acadêmia de rolex no punho e gel no cabelo. Por vezes irá se lamentar e me xingar, atirando morangos em minha direção. Por horas irá misturar morangos e cuspi-los pois irão se misturar às suas lagrimas salgadas. Mas nossos tempos são assim, nós ficamos surpresos em como é difícil amar como nossos pais se amaram, ou não se amaram. Então, se por alguns instantes desistir de ter raiva por me amar, saiba, não saiba. Ou saiba que vai ser sempre assim, porque é assim que eu aprendi a te amar. Eu posso limpar a casa coberta de morangos. Eu posso roubar morangos no vizinho. Eu posso fazer geleia, eu posso aprender a fazer geleia. Eu posso fazer qualquer coisa, menos te amar pequeno, menos te amar de outra cor, eu quer te amar vermelho, quero te amar vermelho morango.


B-A-BÁ

Um sumirei das páginas do seu livro e dos rascunhos do seu caderno. Eu serei esquecido nas fórmulas matemáticas e nos códigos que identificam os ônibus escolares. Serei riscado da história, retirado da biologia e mais! não me encontarão em nenhum local do mapa. Tudo isso porque nunca fui muito afim de regras estilisticas escolares.